Os joelhos tocavam o chão gélido, de modo que o frio cortava-lhe nos ossos. O belo par de olhos contemplava o cadáver estendido. Ele contemplava os olhos verdes esbugalhados com a mesma ternura, a face mergulhada em uma espécie de pó mortal, era a própria morte estampada, e por alguma razão ele ainda a admirava, e via a mesma beleza. Os dedos percorriam toda a face dela, e contornavam os lábios pintados de roxo, com tons avermelhados escarlate. Sentia uma sensação desconhecida. As forças se perderam em alguma parte. A voz sumira. Agarrou-se ao corpo, frio. As lágrimas banharam. A dor. O coração partia. Lentamente. Uma faca, entrando e saindo do peito, vagarosamente. A pior das dores. O ser desfalecia. O mundo não girava mais. Os olhos nada viam, agora. A escuridão Sentia como se tivesse com as mãos atadas. A multidão se formava ao redor. Ele queria expulsá-los dali. Queria ficar a sós. Sumir, agarrado ao corpo da amada. Por que ela não ficara? Por que não esperara mais alguns segundos? Ah, se ele não tivesse voltado o rosto para ela. Se ele não a tivesse beijado. Mas a rua estava deserta, não estava? Ele se sentia culpado. Um ser, masculino, caminhou com as pernas entrelaçadas, cambaleando. Atônito. Proferiu palavras que não cabiam na situação. Dançou sobre os próprios pés. Agachou-se no chão. Olhou, sem entender o casal. Agora morto. Ele matara, mas não se culpava. Não se lembrava. Não sabia onde estava. Dormiu, impregnando o cheiro de álcool. Ela ainda usava o vestido branco, o mesmo da mãe. A face banhada em sangue e lágrimas, do amor de sua vida. E ele, ainda balbuciava, e repetia os votos. As lágrimas, corriam, sem direção. Desfalecendo, colou seu rosto ao dela. Beijou-a. Manchou os lábios de sangue. O penteado tinha alguns fios rebeldes. A multidão aos poucos se afastava, com a mão levada a boca. O mundo ainda girava, ao mesmo tempo que a dor mortal latejava.
terça-feira, maio 03, 2011
quinta-feira, abril 28, 2011
Garota do século errado.
"Pobre garota! É o que pensam sobre ela. Medíocre vida a dela. Tão sem graça. Enfurnada em livros, escondida entre palavras, afogada em lágrimas. Sozinha durante a escuridão noturna, perdida em pensamentos. Mergulhada em sonhos inacabados, frágil, solitária. Metida, até. E apesar de tudo, fica aí,. esbanjando esse sorriso, e ainda encontra essa alegria não sei onde. Vive esse amor proibido. Coitada. Não faz nada para mudar. Talvez tenha se acostumado a inércia, da vida. Ainda acredita em amor, e chora de coisas bobas. Sonha, e faz preces baixinhas. Acredita que mesmo com toda essa solidão, há uma chance das coisas mudarem. Tem diário. Garota ultrapassada. Utopia de vida. Como consegue viver sem Orkut, em pleno século XXI ? Preste atenção no gosto musical, ninguém ouve essas musicas, que ninguém entende nada. Maluca, se cala do nada. E algumas vezes, fala mais que o normal. Não fala palavrão. Garota medonha. Ela até que é bonitinha, se não fosse os óculos, e as espinhas. Não chama a atenção de ninguém a coitada. Mas, também, não mostra as pernas, nem usa um decote. Não toma a iniciativa, é claro que vai ficar nisso sempre. Coitada, ama aquele lá. Ama, que é isso? Não existe amor, não é? Pelo menos, não tem graça É mais interessante ter todos os garotos, ou as garotas, que quiser. Pobre garota, não sabe o que é viver. Pobre garota, a coitada que nasceu no século errado."
terça-feira, abril 26, 2011
Você pode dirigir com 16, ir para a guerra aos 18, beber aos 21, e se aposentar aos 65. Mas, qual a idade você tem que ter antes que seu amor seja verdadeiro? Já tive aos montes pessoas que não compensam esquentando a cadeira ao lado do cinema, o banco ao lado do carro e o travesseiro extra da cama. E nem por um minuto senti meu peito aquecido. A gente até engana os outros de que é feliz, mas por dentro a solidão só aumenta. Estar com alguém errado é lembrar em dobro a falta que faz alguém certo. Remember Me
terça-feira, abril 19, 2011
A falta que eu sinto...
É que às vezes eu sinto falta. Sinto falta de coisas que eu nunca tive, mas sei que me fariam muito bem. Bem melhor. O fato é simples, eu só sinto falta, mas à inércia permanecerá, até quando o destino enjoar.
segunda-feira, abril 18, 2011
Fajuta fuga.
Já parei pra pensar, e pensei até adormecer.Já analisei os fatos, e todas as circunstâncias, até meu estômago embrulhar, e eu sentir meu cérebro rodar. Já pensei e tentei não pensar. Já imaginei algo melhor, e tive medo de estar errada.Cruzei os dedos sussurrei, com um fio de voz, clamando pelo melhor. Ele sempre chega atrasado, ou será que nunca vem mesmo? Deve ser a tão esperada esperança, que causa a dúvida cruel. Como diria minha querida e idolatrada Clarice Lispector "esperar dói,esquecer dói.Mas não saber se deve esperar ou esquecer, é a pior das dores". Tudo verdade. Eu adoraria poder dizer o contrário, e jurar de pés juntos que ela está completamente errada. Mas, não está. Nenhum pouco.E isso dói sim, dói e a dor acaba se anestesiando. Os fatos já acontecem, e nem me surpreendem mais. Sim, eu já me acostumei com a falta de força, e falta de crença em ambos os nossos seres.E por mais que eu pensasse que não, essa pequena força pode mudar muita coisa. Ao menos em mim, me daria mais coragem, e mais fé. Já cantei para esquecer, até que a letra me lembrar outra vez, e então o pequeno latejar iniciava em alguma parte em mim. Fechava os olhos, e então escorria-se a tristeza. Já tentei ocupar o cérebro, em vão. Já tentei escrever uma ficção que mais uma vez, adoraria que fosse minha dura realidade. Já reli meu passado que eu mesma relatei,com uma pontinha de saudade, mas não o suficiente para querer voltar. Já revi fotos, e os meus registros. Quem diria, não? Ninguém imaginava, nem eu. Que diferença faz? O fato é que não há como retroceder, e eu não quero. Isso ao mesmo tempo que é a melhor das situações, que é o melhor que poderia acontecer comigo em todo o planeta, a melhor e mais bela estrela do universo cosmológico, o melhor que eu poderia imaginar, é o que me martiriza, que lateja, pelo improvável, pelo que me prezam e me profeciam. Então, a escuridão baila pelos meus olhos, e eu penso, penso, até adormecer. E é nesse meio tempo, que os meus sonhos aparecem. Noite passada, tive um sonho bom, ótimo até que a luz do meu quarto acendeu, e eu tive que a contemplar, diretamente, e responder, mesmo que sem humor algum, seu bom dia melancólico. De qualquer forma, como diria Machado de Assis, em todos os casos "preferi dormir, que é um modo interino de morrer".
Seliiinho liindo.
Semana passada, recebi este lindíssimo selinho da Aninhaa do By My Self (http://by-my-sefl.blogspot.com/).

Adorei, de verdade. Obrigada de coração Aninhaa!
Regrinhas:
1- Dizer que foi a aninha do By My Self que fez! Ok!
2- Indicar pra blogs amigos. Indico pra todos os meus lindos seguidores, para todos que aguentam meus desabafos, minhas lágrimas escritas.
3- E responder: "O que te deixa de pernas pro ar?"
RESPOSTA:Cócegas, muitas cócegas.
Beeijos!

Adorei, de verdade. Obrigada de coração Aninhaa!
Regrinhas:
1- Dizer que foi a aninha do By My Self que fez! Ok!
2- Indicar pra blogs amigos. Indico pra todos os meus lindos seguidores, para todos que aguentam meus desabafos, minhas lágrimas escritas.
3- E responder: "O que te deixa de pernas pro ar?"
RESPOSTA:Cócegas, muitas cócegas.
Beeijos!
quarta-feira, abril 13, 2011
"Disse isto; puxou-a para si; ela resistiu um pouco, mas deixou-se ir; uniram-se os rostos, e eu ouvi estalar, muito ao de leve, um beijo, o mais medroso dos beijos."
"-Esqueceu alguma coisa? perguntou Marcela de pé no patamar.
-O lenço.
Ela ia abrir-me caminho para tornar à sala; eu segurei-lhe nas mãos, puxei para mim, e dei-lhe um beijo. Não sei se ela disse alguma coisa, se gritou, se chamou alguém; não sei de nada; sei que desci outra vez as escadas, veloz como um tufão, e incerto como um ébrio".
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas
"Inclinou-se, olhou para o rosto sem vida, e então beijou a boca de seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade.Ele tinha um gosto poeirento e adocicado [...]. Liesel beijou-o demoradamente, suavemente, e, quando se afastou tocou-lhe a boca com os dedos".
Markus Zusak, A menina que roubava livros
13.04 Dia Internacional do Beijo
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