sexta-feira, abril 01, 2011
Unfortunately, me.
Eu só me sinto deslocada. Incomum. Extraterrestre. Diferente.Estranha. Só sinto que sou a única, nesse mundo todo. Só eu sou assim. Escondida atrás de livros, perdida entre palavras, e olhos minúsculos escondidos, por um par de óculos, mais comum em idosos. Eu sou a única, eu sei.

terça-feira, março 29, 2011
Pode ser...
Pode ser o céu, ou talvez só o tempo. Pode ser a prova, ou as quatro horas que fitei milhões de palavras, e quase arranquei meus cabelos. Pode ser a bronca que recebi como resposta ao meu bom-dia.Pode ser o café, ou a barra de cereal, pode ser a interminável tarefa, pode ser a preocupação. Pode ser a música, ou a voz do cantor. Pode ser a beleza da garota do clip, com o belo par de óculos, e olhos azuis, com nariz definido e cabelo mais do que liso, que me passa a estranha sensação de que estão cheirosos. Pode ser a inércia da minha vida, pode ser a roupa, as vozes, as minhas obrigações. Pode ser esta cidade. Pode ser o cheiro, ou o que tem mistura pro jantar. Pode ser meu celular, ou sei lá o que.Pode ser esse sermão.Pode ser a crítica em tudo que faço, e que acaba me fazendo triste, e me envergonha, tentando mudar meu jeito de ser. Pode ser tanta coisa, e pode ser nada. Eu só acordei assim, e meu dia terrível, contribuiu para o sumiço da minha voz. Enterrada no fundo do peito, ou estampada entre os lábios, mas que não sai. Fica aqui, ou lá. Muda. E eu não sinto falta, não mesmo. Eu só não quero me olhar no espelho. Cansei de ficar vendo meus defeitos. Deixe-os aqui. E só me restam, minúsculos dias, não tem como fugir do que me aguarda. Não estou afim de outro sermão às seis da manhã. O fato é, estou cansada de sempre a mesma coisa. E então querida vida, pegue me nas mãos, sujas, e grandes. Sou um fantoche do meu destino. Rendo-me, estou aqui, abraçada aos joelhos, e segurando lágrimas.Fingindo esse sorrisos, e irradiando felicidade fajuta.

sexta-feira, março 25, 2011
Quem sabe seja só um gosto nostálgico.
E eu não sei o porquê, mas me bateu uma sensação estranha. Cansaço? Ou será tristeza mesmo? Eu achei que já estava acostumada a milhões de sentimentos, todos juntos, misturados, e incompreensíveis. Achei que já tinha aprendido a lidar comigo, a me entender. Achei que isso não voltaria mais. Engano meu. Completamente enganada. Uma dúzia de palavras, sarcásticos sorrisos, falta de respostas, ausência, dia diferente do que eu estou acostumada. Talvez, falta do que eu já não sei o que é não ter. Ah, droga de esperança. E então, pronto. milhões de lembranças doem,e nem são tão antigas assim. Mas, então por que parecem tão solitárias e distantes? Insignificantes? Talvez, seja só um pouco de nostalgia. Eu não sei o que é. Não sei mesmo. Sei que estou sentindo que minha alegria está se esvaindo. E então o tempo corre, matando minhas esperanças. Odeio sumiço repentino. Irônico, as horas se arrastaram durante o tempo que tive vago, e agora, por que apertaram o passo? Acho que foi de propósito. Quem sabe, talvez tenha sido bom! Amanda, aprenda de uma vez por todas. É o que os fatos, todos juntos, e sincronizados, parecem sussurrar em coro. Juntamente com o espelho que me aponta todos os defeitos, interiores e exteriores. Por que? São tantos os "porques" que eu tenho em mente agora. Os meus olhos já penicam.Tento guardar as lágrimas. Não é uma boa hora para se afogar nelas. Mas tudo é tão sufocante, e terrível. Odeio quando perco de vista. Odeio quando meus olhos não encontram. Por que? Dia ruim? Eu também tive. E ele demora ainda pra acabar. Solidão, completa. Nada a declarar. Jogo de palavras, perdidas e mudas. Assim como os lábios que sumiram. Devia já ter me acostumado com tais. É tão parte do pacote. Mas, mesmo assim, me preocupa, me abate, e acarreta isso tudo aí, desenhado e colorido de preto e branco, contornado de cinza fraco. Droga, eu já devia ter me acostumado.O fim é sempre o mesmo.O medo, com voz fininha, grita "mas e se você se acostumar, e o fim for outro?" É, não sei de nada. E amanhã, não vai ser como sempre, assim como hoje. Isso, fim das esperanças. Tempo esgotado, morte de todas elas. Me resta tomar banho, e me desligar daqui, me esconder nos meus livros, fugir de música, encher a cabeça com outras coisas. Mesmo sabendo ser impossível. Mais uma súplica, querido ser, acabe de uma vez por todas com essa sensação tenebrosa, e arrepiante. Exatamente do jeito que sabes, infelizmente, é o único ser, que sabe como.

quarta-feira, março 23, 2011
You might feel better!
Você alguma vez dançou
Na chuva ou agradeceu o sol
Apenas por brilhar
Apenas por brilhar, ou o mar?
Oh não, você levou isso tudo
No mundo é um show e é
Você parece muito melhor
Parece muito melhor, quando você brilha.
Sister Hazel

quinta-feira, março 17, 2011
Eu, assassina.

Arrasto-me, esfrego meus pés ao chão, o barulho penetra-me nos ossos. Sinto a adrenalina esvaindo-se pelos poros, juntamente com o suor, que cola a blusa branca ao meu corpo, escorre pelas pontas dos dedos.Os olhos pesados, quase colados, os lábios mudos e perdidos. Exteriormente.Ah, ninguém pudera ver-me interiormente.O sangue bailava pelas veias azuis ou verdes, mergulhando-se e impregnando a vermelhidão por todos os dedos, ao longo do corpo.O riso tocava ao fundo, a um som de vitória que tinia, uma melodia orgulhosa.Sentia meu ser vivo, com o seio palpitando alegria. Caminhava entre os órgãos as lembranças, o momento em que apertei o gatilho, e quando enterrei a faca em meio ao peito numeroso. Os meus olhos brilhavam, a medida que os dela se fechavam, cansados, e as pálpebras iam se colando. Ah, o meu riso iluminou a escuridão, e o último sopro de ar saiu pelos lábios mudos, e enfeitado com as quatro operações. E então, desmontou-se totalmente. Jogados foram ao chão, números e mais números, uns empilhados sobre os outros, depois vieram os sinais, misturados com os inteiros, os reais, e tantos outros.Em meio a tudo isso perdeu-se o ciclo trigonométrico, com todos os senhores Senos, Cossenos e amante deles, senhora Tangente, e os respectivos filhos, ângulos em suas respectivas moradias, bairros, ou melhor quadrantes. Como a ordinária, e velha rabugenta Matemática, conseguia guardar tanta coisa? O fato é guardava, agora não passa de um amontoado de números perdidos, e outras coisas insignificantes.
Diante do tribunal, aguardo minha sentença. Sem arrependimento algum.Os meus olhos abrilhantam uma maldade, do bem. Afinal, fora um bem, comum. Perdoem-me caros entes queridos dessa antiga assombração,amantes compulsivos de números, e suas contas incompreensíveis, que antes, durante muitos e muitos dias queimaram meus crânio, perfumando meus fios de cabelos com cheiro de queimado.Que arrancou meu sono, com os olhos abertos, e imaginando como conseguiria manipular minha atenção, e trapacear minha nota.Não importa mais, eu consegui. Assassinei a matemática. Eternamente morta, enterrada em algum lugar. Não muito longe, mas onde as palavras estão vestidas de princesas, e a Língua Portuguesa é rainha, e vive aos cuidados de escravas negras, a ortografia e a gramática. Lá está a velha Matemática, morta,coberta de flores vermelhas,e brancas pintadas com o marrom da terra. O cadáver branco e gélido, é motivo de riso para todos. Inclusive à mim.

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